sábado, 28 de janeiro de 2023

Lafayette – Lafayette Apresenta Dina Lúcia (CBS/Entré) 1965


O Lafayette ficou marcado com o órgão da Jovem Guarda, mas se você dar uma geral na discografia dele vocês encontrarão muita coisa boa, por exemplo esse álbum de Bossa Nova e Sambalanço gravado junto com a cantora Dina Lucia, álbum de estreia dos dois. Em 1965 Lafayette tinha contribuindo de uma forma significativa no álbum Roberto Carlos Canta Para a Juventude com seus arranjos de órgão, com isso o Evandro Ribeiro contrata o Lafayette para gravar uma série de discos chamada Lafayette Apresenta Os Sucessos onde ele solaria no seu órgão hammond B3 versões instrumentais dos sucessos do momento. Recém casado com a cantora Dina Lúcia, Lafayette propôs a Evandro Ribeiro a gravar um disco junto com ela, o Evandro Ribeiro topou e o álbum foi lançado, o disco praticamente não vendeu nada, diante disso Evandro Ribeiro chama o Lafayette na sala e diz: Eu gravei seu disco, e agora você grava o meu. Lafayette gravou o álbum Apresenta Os Sucessos e o disco estourou fazendo enorme sucesso. Dina participou de todos os álbuns do Lafayette, e até a morte do músico em 2021 ela cantava na sua banda. Disco bom do começo ao fim. A curiosidade é que tem 3 sambas do Roberto e do Erasmo, Moço Toque Um Balanço, Matando A Miséria A Pau e O Menino e a Rosa. Golden Boys e Luiz Carlos Ismail (Corô) , Paulo César Barros(Baixo) e Hélio Costa (Piano) participaram da gravação, os outros músicos não consegui se identificar.


Colaboração com o texto: Gabriel Thomaz


Dina Lucia e Lafayette

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Serguei - Eu Sou Psicodelico. Primeira canção a levantar a bandeira do LSD no Brasil


 "Eu Sou Psicodélico" gravada por Serguei em 1968 foi a primeira música a levantar a bandeira psicodélica no Brasil. Serguei trabalhava na Pan-An e rodou o mundo viajando como comissário de bordo, e ele estava em São Francisco na época que o movimento Flower Power explodiu, e lá teve as suas primeiras viagens de ácido. Quando voltou ao Brasil o amigo Sérgio Murilo, que recentemente tinha sido contratado pela gravadora Continental e iria lançar um novo álbum por lá, levou o Serguei até a gravadora e conseguiu um contrato para gravar um compacto simples. Diante dessa situação ele encomendou com os compositores Carlos Cruz e Emanoel Rodrigues o samba psicodélico "Eu Sou Psicodélico" música bem brasileira mas com o espírito Flower Power na letra. E "Maria Antonieta Sem Bolinhos" composição de Antônio Cláudio e Romeu Fossati Filho um rock protestando sobre um amor cansado de ser bobo. Acabou que a gravadora não lançou as músicas em compacto e sim em álbum colaborativo chamado "A Grande Jogada e a Margarida" encabeçado com o veterano Sérgio Murilo e com os novatos Fernando Pereira, Didier, Milena, Stelinha e Cleópatra. Todos os artistas foram acompanhados pelo Portinho e sua Orquestra. O álbum não fez muito sucesso, mesmo com as músicas do Sérgio Murilo terem tocado bem nas rádios. As músicas do Serguei também chegaram a tocar nas rádios e ele fez bastante programas de televisão, mas o pessoal da mídia não estava preparado para as novidades apresentadas pelo Serguei trazidas dos EUA. Esse era o segundo lançamento do Serguei que em 67 tinha lançado um compacto simples pela gravadora Equipe com as músicas As Alucinações de Sergei / Eu Não Volto Mais composição do Ed Lincoln com o Orlandivo. Muitos podem questionar que "Lindo Sonho Delirante" gravada pelo cantor Fábio também em 1968 foi a primeira a trazer a mensagem do LSD, mas ela foi feita a partir de uma ideia de uma matéria de revista e ninguém tinha tomado ácido, foi puro marketing do Carlos Imperial, diferente do Serguei que já tinha viajado de ácido por aí.


Lp A Grande Jogada e a Margarida (Continental)1968




Matéria da revista Romântica de 1968 onde mostra Serguei empenhado em difundir o movimento Flower Power no Brasil







Eu Sou Psicodélico




Maria Antonieta Sem Bolinhos



Álbum A Grande Jogada e a Margarida



domingo, 22 de janeiro de 2023

Ala Mil - EP 1 (2022)


Ep lançado pelo grupo Ala Mil em 2022 com releituras de músicas lançadas em álbuns anteriores, exceto a inédita Proerd Lion. O EP marca a entrada do baterista Giva Farina função antes feita pelo baixista César Blax que criava samples e programações de bateria. E diferente dos álbuns anteriores esse não teve as participações colaborativas de músicos espalhados por todo brasil e exterior, apenas com a participação do Sérgio Piro que gravou Saxofone e Pífano. O EP teve a produção do Tiu Funk que também fez a engenharia de som e participou tocando baixo e guitarra. Mais um ótimo trabalho do grupo.



1 - Baião de sulista
2 - Saturday soul
3 - Space age dub
4 - Cigana Fantasma
5 - Sai dessa fossa
6 - Proerd Lion 

Músicos:

César Blax - Baixo
Virgilio Teixeira - Guitarra, Violão, Viola Caipira
Everton Piagetti - Guitarra, Efeitos,Slide
Giva Farina - Bateria e Percussão

Participação:
Sérgio Piro - Alto Sax e Pífano
Tiu Funk (Herbert Souza) - Baixo solo em Sai dessa fossa e guitarra solo em Proerd Lion.

Produção - Tiu Funk
Co-Produção - César Blax
Arte da Capa - Sérgio Piro
Gravado no Gama Studio em Camboriu - SC.




Ricky Ricardo - Do Outro Lado Do Rio, Entre As Arvores/Eu Digo O Que Penso(Beverly) 1970

 



Em 1968 Rick Ricardo e seu parceiro Paulo Roberto estava com duas composições gravadas pelo Wanderley Cardoso em seu álbum "Socorro Nosso Amor Está Morrendo", "Vou Gritar E Acordar A Cidade" e "Eu Te Adoro, Te Adoro, Te Adoro" e que faziam parte da trilha sonora do filme Pobre Principe Encantando protagonizado pelo Wanderley, o que lhe deu um certo prestígio como compositor. Em 1969 o cantor Monny gravou "Coisas Que Eu Não Lhe Disse" de autoria da dupla, e por conta dessa aproximação e amizade o Monny convida Ricky Ricardo para ir São Paulo na gravadora Bervely para apresentar uma das suas novas composições "Meu Bem Ao Menos Telefone" o produtor Luiz Morcazel, o turco, gostou da composição e pediu para ser a música de trabalho do lp de estreia do cantor Luiz Fabiano, compositor dos sucessos "Você Me Pediu" na voz do Roberto Carlos, e Meu "Disquinho" na voz do Roberto Carlos e que tinha lançado dois ótimos compactos pela gravadora Odeon e vinha fazendo sucesso com o compacto Só Me Interessa Você lançado pela Bervely. "Meu Bem Ao Menos Telefone" foi sucesso instantâneo, fazendo o Ricky Ricardo a ser convidado a gravar um compacto simples pela Beverly em meados de 1970 com duas composições sua em parceria com o compositor Paulo Roberto, "Do Outro Lado Do Rio, Entre As Arvores" e "Eu Digo O Que Penso". As músicas foram gravadas no estúdio da Gazeta um dos melhores de São Paulo na época, e que era muito usado pela Copacabana, Beverly, Chantecler, Mocambo, e entre outros selos menores. Os arranjos foram feitos pelo Maestro Zezinho, e que também tocou viola caipira na música Do Outro Lado Do Rio, Entre As Arvores" a primeira música dentro do universo da Jovem Guarda a utilizar a viola caipira. Batendo um papo com o Osni Vidreiro o verdadeiro nome de Ricky Ricardo ele me contou que não lembra os músicos que gravaram as bases, mas pesquisando por aí, soube que foi Os Carbonos que o acompanharam na gravação. Era de praxe eles fazerem as gravações das gravadoras Beverly e Copacabana de artistas que gravavam em SãoPaulo, e o estúdio da gazeta era o QG da banda. As músicas tocaram bem nas rádios de SP e nos programas de TV, mas devido problemas na Beverly o Ricky teve que voltar ao Rio de Janeiro e trabalhou pouco o compacto. Ainda em 1969 Wanderley Cardoso gravou mais uma composição sua "Luzes da Avenida" que saiu no excelente álbum "Quando O Amor Se Transforma Em Poesia". E no ano seguinte junto ao seu lançado ele viu uma das suas composições virar sucesso em todo brasil "Meu Bem Ao Menos Telefone" regravada pelo baiano José Roberto pela CBS que foi um sucesso estrondoso no nordeste do país. Ricky Ricardo segue compondo e gravadando suas composições, mas agora com o seu verdadeiro nome Osni Vidreiro.



Ricky Ricardo na TV Rio canal 13


Músicas do compacto 





Outras composições do Ricky Ricardo citadas no texto 


Wanderley Cardoso - Eu Te Adoro, Te Adoro, Te Adoro (1968)


Wanderley Cardoso - Vou Gritar E Acordar A Cidade (1968)


Wanderley Cardoso - Luzes Da Avenida (1969)


Monny - Coisas Que Eu Não Lhe Disse (1969)


Luiz Fabiano - Meu Bem Ao Menos Telefone (1969)



José Roberto - Meu Bem Ao Menos Telefone (1970)






sábado, 21 de janeiro de 2023

Caminhante Flutuante - Maracugina (2022)


 Maracugina(Felipe Seadi)


Maracugina é o mais novo single da banda Caminhante Flutuante gravado, mixado e masterizado no estúdio da Holiday Produtora que fica em Sapucaí do Sul/RS pelos produtores Vini Tupeti e Bridy.

Felipe Seadi(Guitarra e Voz)
Stevan Zanirati(Baixo e Voz)
André Reche (Teclado e Voz)
Rafael Santos(Bateria)




sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Jedias Hertz - Maverick Voador (2021)


Maverick Voador é o primeiro álbum do músico e compositor paulista Jedias Hertz lançando em 2021. O álbum passeia entre a psicodélia, tropicalha, o folk e o rock.


Em seu álbum de estreia, Maverick Voador, Jedias Hertz traz toda sua influencia da psicodelia dos anos 60 e da tropicália. Com canções que tratam de Solidão, Liberdade, Guerras, Arte e Antropofagia, Jedias nos leva numa viagem alucinógena e boêmia ao som de guitarras Fuzz, orquestras invertidas, instrumentos indianos, efeitos sonoros e texturas. Aperte os cintos que carro voador não freia.(texto do Jedias Hertz)

1- Hino Bastardo
2 - Canção de Inverno
3 - Maverick Voador
4 - O Drink da Meia-Noite
5 - Parto-me
6 - Enfim Sós
7 - Sonho/ Pesadelo #37-48
8 - Mantra de Sofá
9 - Canção da Serpente
10 - Um Drink com o Diabo
11- Garuda


Guitarra, Gaita, Piano, Órgão, Baixo, Violão, Bateria, Percussão, Voz, Berimbau, Sitar, Theremin e orquestração por Jedias Hertz

Percussão, Bateria, backing vocals, sons de pássaros e voz por Marina Silva

Backing vocals em 'Maverick Voador' por Natália Pavezzi

Escrito, arranjado e produzido por Jedias Hertz
Mixagem, masterização e capa por Jedias Hertz
Gravado em Rio Claro-SP entre 2018 e 2021
Alguns efeitos sonoros de: freesfx.co.uk





 


quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

LBF Project - Dance Tracks Ep (Bem Bolado Discos) 2023




LBF Project é um projeto de música eletrônica formado pelos DJs Leitinho e Black Flava que fazem um som com fortes influências da House Music que foi bastante popular nas décadas de 80 e 90. A dupla já tinham lançados outras eps, mas esse é o primeiro pelo selo Bem Bolado Discos.


1- Into Sound (Marcos Roberto Leite/Alexandre Costa dos Santos)
2 - Disco Flava (Marcos Roberto Leite/Alexandre Costa dos Santos)
3 - Funky Grooova (Marcos Roberto Leite/Alexandre Costa dos Santos)
4 - Certas Mulheres (Marcos Roberto Leite/Alexandre Costa dos Santos)
5 - What I Am Gonna Do (Marcos Roberto Leite/Alexandre Costa dos Santos)


Produção, Gravação, Mixagem e Masterização: DJ Leitinho e DJ Black Flava
Gravado no verão carioca de 2022
Produção Fonográfica: Bem Bolado Discos
Arte da Capa: Edmar Silva
Ilustrações estúdio Canva





Super Sons Volume 2 (Bem Bolado Discos) 2023




Nesse segundo volume o selo Bem Bolado Discos continua a sua saga de oferecer para o público o que há de melhor sendo produzido no underground brasileiro, e apresenta para vocês 12 perolas de artistas fantásticos que produzem as suas músicas em alto nível sem depender de grandes marcas, e fazem com amor, respeito e dedicação, e quem ganha, é o ouvinte com essas maravilhas musicais.


1 - Cassiola - Tudo Que Vier À Cabeça (Cassiola)
2 - Demétrius - Lugar Qulaquer (Demétrius)
3 - Pedro Jules - Brisa Leve (Pedro Jules)
4 - Cirilo Amém - Não Da Mais (Sergio Basseti)
5 - Lejão - Apenas Um Vagabundo (Leandro Sampaio)
6 - Marcionílio - Casas Tristes (Marcionílio/Juvenil Silva)
7 - Suburbeats - Lacre ou Lucro( Herbert Souza/César Bras Costa)
8 - Rafael Cirilo - Pra Nascer (Rafael Cirilo)
9 - Juvenil Silva - Estamos Numa Encruzilhada (Juvenil Silva)
10 - Célia Demézio - Flor Estranha (Célia Demézio)
11 - Stevan Zanirati - Onde Está o Meu Amor (Stevan Zanirati)
12 - Capitão Bourbon - Quebre As Regras (Vander Bourbon/Eduardo Osmedio/Ulysses Nogueira)




Produção Bem Bolado Discos
Seleção de Repertorio: Edmar Silva
Arte da Capa: Edmar Silva
Ilustração da Capa: Estúdio Canva
Masterização: Edmar Silva





sábado, 14 de janeiro de 2023

Carlos Gonzaga - Só Você. A primeira balada rock gravada no Brasil com o orgam Hammond B3 em 1958


Quem nunca ouviu Quero Que Vá Tudo Para O Inferno com Roberto Carlos e nunca se empolgou com o solo e acompanhamento de órgão Hammond B3 feito pelo Lafayette. Esse tipo de som virou marca registrada, e a partir de 1965 era indispensável no pop rock brasileiro. Antes dessa gravação Lafayette tinha dado o pontapé inicial desse estilo na música Terror dos Namorados gravada por Erasmo Carlos em 1964. Roberto Carlos ao ouvir a música convidou Lafayette para gravar e fazer os arranjos de órgão no seu próximo disco Roberto Carlos Canta Para A Juventude lançado no primeiro semestre de 1965. Mesmo com o sucesso do álbum ele não foi tão impactante como Quero Que Vá Tudo Para O Inferno lançado no segundo semestre de 1965. Mas voltando no tempo, mais precisamente em 1958, um recente cantor mineiro conhecido como Carlos Gonzaga é contratado pela RCA Victor e lança o álbum intitulado Quisera Te Dizer, um álbum com boleros, sambas, e baladas rocks, e a balada rock Só Você versão do Julio Nagib para Only You sucesso do grupo vocal The Platters que é o assunto dessa matéria.Nessa versão tem o acompanhamento de um órgão Hammond B3 com um arranjo parecido ao que o Lafayette fez anos depois nas canções do Roberto Carlos. Em 1958 já era normal algumas músicas terem o acompanhamento de órgão e já tinha organistas lançando álbuns instrumentais com o som eletrônico como era dito na época. Em Só Você o órgão foi gravado pelo Walter Wanderley que foi o pioneiro nesse tipo de acompanhamento e acredito que essa gravação foi um grande experimento para ele, que no ano seguinte fez algo parecido no álbum "Sempre Personalíssima" lançado pela gravadora Odeon em 1959 de sua esposa Isaura Garcia, junto com o seu conjunto. O álbum da Isaura era de sambas e samba canções um pouco diferente do álbum do Carlos Gonzaga que era uma mescla de ritmos mais voltado para a juventude que nessa época começa a consumir muita música. Não quero com esse texto desmerecer a importância que teve Roberto Carlos, Lafayette e Erasmo Carlos, porque foi através deles que aumentou a procura por tal instrumento, e cada vez mais jovens procurava o estudo em piano e órgão, e nessa época também houve um aumento bem significativo na exportação de órgãos Hammond, Vox e Farfisa para o Brasil, o próprio Roberto quando foi ao EUA gravar cenas do seu filme Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, ele trouxe um órgão italiano Phanter para o Vanderlei que era o tecladista do seu grupo RC7. Diante dessa procura imensa no brasil também começou a se fabricar órgãos eletrônicos nas empresas Giannini, Palmer, Arbor, Saema, Diatron, Minami, Gambitt entre outras. A ideia do texto é acrescentar essa página sobre o uso do órgão na música popular e mostrar que antes houve outros músicos que arriscaram em criar algo diferente. "Só Você" tocou bem nas rádios e ajudou a impulsionar a carreira do Carlos Gonzaga que no mesmo ano lançaria um dos seus maiores sucessos, Diana, outra versão de uma balada rock americana. A partir de 1959 várias músicas tiveram acompanhamento do órgão eletrônico principalmente na bossa nova, mas aí já é outro assunto.



Primeiro álbum lançado por Carlos Gonzaga na RCA Victor em 1958 com a música Só Você





Só Você



quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Paulo Diniz - Quero Voltar Pra’ Bahia (Odeon) 1970 e seus lançamentos internacionais.

 Paulo Diniz - Quero Voltar Pra’ Bahia (Odeon) 1970 versão mono





Em 1970 quando o compacto Quero Voltar Pra’ Bahia foi lançado pela Odeon a gravadora e nem o Paulo Diniz imaginaram o sucesso que ele iria fazer. E nesse embalo a gravadora providenciou a gravação e o lançamento do álbum, que foi lançado em duas versões, uma Mono e uma Estereo com diferenças no repertório e no número de faixas. Na versão Mono temos 13 faixas, já na versão estéreo temos 12 faixas e com a música Ninfa Mulata no lugar da Ganga Zumba e sem a faixa Malandro É São Benedito, reza a lenda que essas faixas foram censuradas, mas não há nada que confirme essa informação. Na década de 70 a Odeon lançou essa versão em estéreo por duas vezes, uma com aquele rótulo dourado clássico da Odeon, e outra com uma capa diferente já no final da década. A música e o álbum Quero Voltar Pra’ Bahia fez tanto sucesso na américa latina se estendendo até o méxico, com vários artistas gravando e fazendo versões em espanhol da música, A Odeon junto com a EMI que tinha uma mercado internacional resolve lançar o disco para o mercado latino. O primeiro lançamento foi feito pela EMI/Odeon na Venezuela em 1970 com o título Piri-Piri Y Otros Exitos, com uma capa diferente da versão brasileira e com o repertório do álbum mono brasileiro.O segundo foi feito na argentina via selo Parlophone em 1971 com o título Quiero Volver A Bahia mantendo a capa original mudando alguns detalhes e com o repertório do álbum estéreo brasileiro. Já o terceiro lançamento foi feito em parceria com a gravadora Espanhola Belter que iria colocar o disco no México e na Espanha, eles mantiveram a capa original e o repertório é o mesmo do lançamento mono brasileiro. Sem sombras de dúvida esse álbum foi o maior sucesso comercial do Paulo Diniz depois da música O Chorão lançada ainda no auge da Jovem Guarda. Mesmo com todo esse sucesso ele ficou por anos fora de catálogo sendo relançado em cd somente na década de 2000 pela EMI.





Versão lançada pela EMI/Odeon na Venezuela em 1970










Versão lançada na Argentina em 1971 pela Parlophone





Versão lançada pela gravadora espanhola Belter em 1971 para o mercado Mexicano e Espanhol













Versão Brasileira em estéreo lançada em 1970 com alterações nas faixas







Outras versões em estéreo lançadas no brasil na década de 1970 com rótulos e capas diferentes









segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Renato e Seus Blue Caps (SOM/Guarujá) 1963


 



Produzido por Nazareno de Brito
Gravadora Copacabana selo SOM: SOLP-40025 Mono
Gravadora Guarujá: GLP-126 Mono
Relançado em Lp pelo selo Bervely da Copacabana em 1982, 1992(BLP-80914) em 1992 em CD pela Movieplay (ABW-80914) e em 1999 em cd pela EMI (330 499603 2, 499603 2) serie dois em um com o álbum Twist.


Faixas:

Lado A:
1-Limbo Rock (B.Strange-J.Sheldon)
2-Walking My Baby Back Home (R.Turk-F.E Ahlert)
3- Estrelinha (Little Star) - (Venosa-Picone Versão-Paulo Murilo)
4- O Lobo Mau (The Wanderer) - (Ernest Maresca Versão Hamilton di Giorgio)
5- Comanche (Ed Wilson)

Lado B
1-Boogie Do Bebê (Baby Sittin' Boogie)-(Johnny parker Versão Fred Jorge)
2- Ford De Bigode (Ivanildo Teixeira-Paulo Brunner)
3- What'd I Say (Ray Charles)
4- Relax (Guy Dovan-Carl Gary- Van Aleda)
5- Stand up (C.Crafford)


O ano de 1962 e 1963 foi de trabalho para Renato e seus Blue Caps, a banda começou a ser solicitada para fazer acompanhamentos. Foram convidados por Carlos Imperial para acompanhar Eduardo Araújo em um 78rpm lançado pela Phillips número P61119 com as músicas “Twist do Brotinho” composição de Carlos Imperial e “Rock Cha Cha” de Carlos Imperial e Eduardo Araújo. Edinho (Ed Wilson) deixa o grupo e começa a fazer carreira solo sugerida por Carlos Imperial, que antes da gravação do Lp Twist já tinha assinado contrato com a gravadora ODEON. Em agosto de 1962 ele lança o 78rpm pela gravadora ODEON número 14.813 com acompanhamento de Renato e seus Blue Caps com as músicas “Nunca mais” de Carlos Imperial e Paulo Brunner, e “Juro, meu amor” uma versão de Imperial para "Django", de autoria do dinamarquês Mogens Petersen, então hit da banda The Clifters .Em março de 1963 acompanhou Cleide Alves no seu último 78rpm pela Copacabana depois ela se transferia para a RGE.O disquinho tinha “Habibi Twist” de Rossi e Palleschi versão de Nazareno de Brito para Habibi Twist do grupo Italiano The Latins, e “Procurando um Broto” composição de Roberto Carlos. No mesmo mês de março entram no estudio da CBS para acompanhar Roberto Carlos naquele que seria o primeiro sucesso do cantor o hit “Splish Splash” versão de Erasmo Carlos para o sucesso homônimo de Bobby Darin. Seguindo o ano de 1963 em maio acompanha novamente Ed Wilson na ODEON no 78rpm número 7BD-1059 com as musicas “Doidinha por mim” de Ricardo Galeno e “Telefonema” de Renato Barros. Depois da saída de Ed Wilson o baterista Claudio Barbosa o Caribe também deixa o grupo indo para os EUA para estudar música, seguido por Ivan Botticeli que deixou a banda e formou o grupo Zumba Cinco que tocava bossa nova, lançado um Lp pela gravadora Musidisc em 1964. Para a vaga de Caribé na bateria entra Tónio que depois virou Toni e para o lugar de Ed Wilson entra Erasmo Carlos que vinha do Snakes, e na época era secretario de Carlos Imperial, que sugeriu a sua entrada na banda. Erasmo já tinha participado do Lp Twist fazendo coro. Em junho entram novamente no estúdio da Copacabana para gravarem o segundo Lp com produção de Nazareno de Brito. O estúdio da Copacabana era um dos melhores na época, tinha bons técnicos e boa aparelhagem para época por exemplo um gravador de fita AMPEX 356 de 3 canais. Com a nova formação Renato Barros (Guitarra Solo) Paulo Cezar(Contrabaixo) Roberto Simonal(sax) Erasmo Carlos (Guitarra Rítmica e Vocal) Toni(Bateria) a banda grava dois temas para ser lançado em um 78rpm número 6550 “Boogie Do Bebê versão de Fred Jorge para Baby Sittin' Boogie de Johnny parker sucesso nos EUA na voz de Buzz Clifford, e Limbo Rock versão instrumental do sucesso de Chubby Checker. O compacto tocou bem nas rádios e a banda apareceu em alguns programas. Para o restante do disco gravaram “Walking My Baby Back Home” clássico do jazz Americano gravado por Nat King Cole e Den Martin aqui uma versão instrumental em Twist, “Estrelinha” na voz de Erasmo é uma versão de Paulo Murilo para Little Star do grupo vocal americano The Elegants. O disco segue com “Lobo Mau” versão de The Wander sucesso do grupo Dion and The Belmonts versão de Hamilton di Giorgio em uma ótima interpretação de Erasmo. Lobo Mau foi regravada por Roberto Carlos em 1965 no álbum Jovem Guarda. Para fechar o lado A “Comache” tema instrumental composta por Ed Wilson. O lado B abre com Boogie do Bebê já citada a próxima é “Ford Bigode” de Ivanildo Teixeira e Paulo Brunner mais um tema instrumental. Em 1964 Rossini Pinto regravaria essa música no seu primeiro álbum pela gravadora CBS mas com letra e acompanhamento de Renato e seus Blue Caps. Para fechar o disco uma versão bem tribal de “What'd I Say” de Ray Charles, “Relax” do grupo americano The Cousins e “Stand Up” de Crafford todas na voz de Erasmo Carlos. O disco foi lançado em agosto pelo selo SOM da Copacabana número SOLP-40025, e o que muita gente não sabe é que ela também foi lançado em 1963 pelo selo paulista Guarujá número GLP-126 que pertencia a gravadora Copacabana, foi uma forma que a gravadora achou para lançar o grupo em São Paulo. As vendas foram boas superando o álbum Twist. A evolução da banda nesse álbum é bem evidente, sendo superior ao álbum Twist, é um álbum clássico de rock n roll. A partir desse álbum a banda começou a ficar conhecida e fazer muitos shows pelo Rio de Janeiro e fora do Rio.




Texto escrito na contra capa do Lp por Jair de Taumaturgo

“Sim os conheço muito bem. E justamente por isso, falo com base sobre as virtudes musicais destes jovens que integram o conjunto RENATO E SEUS BLUE CAPS.
Foi-me dada a satisfação de acompanhar a evolução dos moços que no princípio tinham apenas intuição artísticas e hoje para gáudio da mocidade, formam um conjunto dos mais homogêneos e de grande valor.
Faço um retrocesso no tempo e encontro-me exatamente na época em que conheci RENATO E SEUS BLUE CAPS, há alguns anos estava na minha sala na rádio Mayrink Veiga um grupo de amadores para se inscrever no programa Hoje é dia de rock a fim de concorrer ao troféu fazendo mimica. E a bem da verdade, até que não se saiu mal, pois conseguiu alcançar classificação de destaque. Lembro-me bem de Renato, Paulo Cesar, Edinho (hoje categorizado interprete, aplaudido por suas gravações como Ed Wilson e que naquele período era crooner) e mais alguns companheiros, dando já mostras de acentuada inclinação para a música, improvisando as mais variadas encenações para seus números mímicos procurando dar vida ao conteúdo dos discos.
Mas de espirito valente, como acontece com todos os jovens, acharam que deviam ultrapassar o terreno da imitação para atingir um campo mais concreto, mais palpável. Do pensamento a ação, fui um pulo.
Dotados de uma extraordinária vontade, dedicaram-se a música ao vivo.
Seus instrumentos adquiridos com muito sacrifico (moços pobres) não lhes permitiam mostra a técnica de horas e mais horas de estudo e de ensaios. (Vale aqui lembrar que Paulo Cesar, hoje um exímio contrabaixista, começou tocando piano com dois dedos para depois chegar à conclusão de que seu instrumento favorito era outro.
O tempo todavia, haveria de ajudar e hoje RENATO E SEUS BLUE CAPS possuem um notável instrumental que manejado por mão hábeis, transmite toda alegria que encontramos na música moderna.
Ao me ver o que mais me emociona no conjunto é a simplicidade de seus componentes. Embora com algumas alterações desde a formação inicial continuam a ser os mesmos rapazes, corretos, educados e com os quais dá gosto lidar.
A sua popularidade é enorme (pude comprova-la pessoalmente em uma série de shows dentro e fora do rio).
Seu repertorio é atualíssimo, pois são selecionadas com critérios as composição em evidencias entre tantas que moços e moças cantam e assobiam.
É, enfim um verdadeiro conjunto.
Seus componentes RENATO BARROS (chefe do conjunto) guitarra elétrica; PAULO CESAR contrabaixo; ROBERTO SIMONAL sax; ERASMO CARLOS guitarra elétrica e também crooner; e, finalmente TONIO; bateria.
A COPACABANA ao lançar este que é o segundo Lp de RENATO E SEUS BLUE CAPS alcança dois objetivos, mais um prêmio ao talento dos jovens músicos e um grande lançamento para a juventude brasileira que encontrara, não tenho a menor dúvida, um excelente entretenimento para suas horas de lazer.
De resto, só me resta aconselhar ao discófilo: Ouça as várias faixas deste microssulco e divirta-se á grande!


Formação:
 
Erasmo Carlos: Guitarra Rítmica e Vocal
Renato Barros: Guitarra Solo e Voz
Paulo Cesar Barros: Contrabaixo e Voz
Roberto Simonal: Sax e Voz
Toni: Bateria


Versão lançada pelo selo Guarujá em 1963








Renato e seus Blue Caps -Twist - Com Cleide Alves e Reynaldo Rayol (SOM/Copacabana) 1962







Produzido por Nazareno de Brito
Coordenação Geral Carlos Imperial
Gravadora Copacabana: CLP 11.241-Mono
Selo Som: SOLP-40.107-Mono
Relançado em cd em 1999 pela gravadora EMI: 330 499603, 499603 2 na serie dois em um.


Faixas:

Lado A
01-The Peppermint Twist - (Joey Dee - Henry Clover) canta Reynaldo Rayol
02-Chega (Makin' Love) - (Floyd Robinson / Demetrius) canta Cleide Alves
03-I Like Twist With My Baby - (Carlos Imperial)
04-Sinal Ocupado (Busy Signal) - (Felice - Boudleaux Bryant / Mangah) canta Reynaldo Rayol
05-Meu Anjo Da Guarda - (Rossini Pinto - Fernando Costa) canta Cleide Alves
06-Summer Comes Again - (Renato Barros)

Lado B
01-Blue Caps Twist - (Renato Barros)
02-Eu Quero Twist - (Carlos Imperial - Erasmo Carlos) canta Reynaldo Rayol 
03-Hey, Brotinho - (Rossini Pinto - Fernando Costa) canta Cleide Alves
04-Cuide Certinho do meu Bem (Take good care of my baby) - (King Collin/ Demetrius) canta Reynaldo Rayol
05-Namorando - (Carlos Imperial) canta Cleide Alves
06-Bonequinha - (Renato Barros) canta Reynaldo Rayol


As primeiras gravações de Renato e Seus Blue Caps em disco, ocorreram em 1960 acompanhando o grupo "Os Adolescentes" no seu primeiro 78rpm pelo pequeno selo Ciclone número 12015 com as músicas “Espante a Tristeza e “Garota Fenomenal” composição de Renato Barros, em uma tiragem de 500 cópias. No ano de 1961 gravam um outro 78rpm novamente pelo selo Ciclone número 12019 acompanhando o cantor Toni Billy coma as músicas “Minha querida e “Oh Magali”. Após uma participação no programa do Chacrinha na TV Tupi chamaram a atenção de Nazareno de Brito que era diretor da gravadora Copacabana na época, e nesse dia estava participando do programa, ele gostou do que viu e ouviu e levou os rapazes para gravar na gravadora. O primeiro disco gravado na Copacabana foi o 78 rpm pelo selo SOM número 4006 acompanhando o cantor Reynaldo Rayol na música “Multiplication” e no lado B tocaram a instrumental “Limbo do trá-lá-lá” composição de Renato Barros, depois gravariam mais um 78rpm com Reynaldo Rayol com as músicas “Eu quero twist” e “Terezinha” Copacabana número 6372, sendo a primeira lançada no Lp Twist. A gravação do primeiro Lp pela Copacabana teve início em 1962, o disco intitulado "Twist” trouxe Reynaldo Rayol e Cleide Alves (dois cantores jovens da época) nos vocais e a banda no acompanhamento, e tocando alguns temas instrumentais. A estratégia da gravadora era lançar no mercado novos talentos aproveitando o embalo crescente do Twist que no momento era o ritmo da moda. O disco foi dividido em faixas, Reynaldo Rayol cantou em cinco faixas “The Peppermint Twist” uma regravação de Joey Dee and the starliters com participação de Roberto Carlos e Wilson Simonal fazendo coro, “Sinal ocupado” versão da americana Busy Signal de Kris Jensen, “Eu quero Twist” uma das primeiras composições de Erasmo Carlos em parceria com Carlos Imperial, “Cuide certinho do meu bem” versão do cantor Demétrius para Take good care of my baby do cantor americano Bobby Vee com os Cariocas no coro, e por ultimo “Bonequinha” composição de Renato Barros novamente com Os Cariocas fazendo o coro. Cleíde Alves canta em quatro faixas, “Chega” versão de Demétrius para Makin' Love do cantor inglês Floyd Robinson, “Meu anjo da guarda e Hey! Brotinho” composições de Rossi Pinto e Fernado Costa, e “Namorando” de Carlos Imperial. Renato e seus blue Caps além do acompanhamento fazem a sua parte solo em tres faixas, “I Like Twist With My Baby” de Carlos Imperial, “Summer Comes Again e “Blue Caps Twist” de Renato Barros. Também saiu em 78 rpm com o número 6372-A, matriz M-3254, porém com a interpretação erroneamente creditada a Agnaldo Rayol, certamente por alguma confusão, o lp é uma reedição de época, sendo que a 1ª edição com o selo é azul e pela copacabana, essa edição tem o selo da SOM, que era um selo da Copacabana.

Texto escrito na contra-capa do Lp por Nazareno de Brito
O twist esta na moda! Queremos twist...
Esse é o entusiástico “slogan” dos dançarinos jovens e dos que não desejam envelhecer.
Renovar, inovar, buscar a aparência atual para as antigas formas, como uma velocidade nunca dantes atingida, é a preocupação dos que desejam substituir nesta era de acelerações.
O twist se apoderou-se de todas as camadas sociais, não respeita idade nem títulos, relembrando pelo impacto e repercussão a década dos 20, quando o Charleston espalhou alegria e movimento por todos os salões.
Renato e seus blue caps um conjunto de rapazes cheios de vida, gosto artístico, e ritmo levaram á fita magnética todo o sabor e vibração do twist.
Reynaldo Rayol e Cleíde Alves, duas vozes bonitas e ao gênero, dizem ao balanço estonteante do conjunto, coisas alegres e engraçadas. Transmitem-nos a mensagem: “Vale a pena viver”.
Dance com eles o “twist” sinta o otimismo e tenha com outros a certeza de que dança o twist é uma das coisas boas da vida...

Formação:
Renato Barros (Guitarra Solo) 
Ed Wilson (Guitarra Base) e contrabaixo em Sinal Ocupado
Paulo Cézar (Contrabaixo) e guitarra em Sinal Ocupado
Roberto Simonal (Saxofone)
Ivan Botticelli (Piano)
Cláudio Caribé (Bateria)

Participações especiais:
Roberto Carlos e Wilson Simonal côro na música “Peppermint Twist”
Erasmo Carlos: Backing Vocais
Os Cariocas em "Cuide Certinho Do Meu Bem" E "Bonequinha"
O pai dos irmão Barros(Ed, Paulo e Renato) bate palmas em I Like Twist With My Baby.

Gravado no estúdio da Copacabana no centro do Rio de Janeiro.



Versão com o selo SOM







Entrevista do Renato Barros para Lucinha Zanetti comentando sobre como foi a gravação desse disco. Onde foi pincelada muitas informações sobre o disco.