segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Renato e Seus Blue Caps (SOM/Guarujá) 1963


 



Produzido por Nazareno de Brito
Gravadora Copacabana selo SOM: SOLP-40025 Mono
Gravadora Guarujá: GLP-126 Mono
Relançado em Lp pelo selo Bervely da Copacabana em 1982, 1992(BLP-80914) em 1992 em CD pela Movieplay (ABW-80914) e em 1999 em cd pela EMI (330 499603 2, 499603 2) serie dois em um com o álbum Twist.


Faixas:

Lado A:
1-Limbo Rock (B.Strange-J.Sheldon)
2-Walking My Baby Back Home (R.Turk-F.E Ahlert)
3- Estrelinha (Little Star) - (Venosa-Picone Versão-Paulo Murilo)
4- O Lobo Mau (The Wanderer) - (Ernest Maresca Versão Hamilton di Giorgio)
5- Comanche (Ed Wilson)

Lado B
1-Boogie Do Bebê (Baby Sittin' Boogie)-(Johnny parker Versão Fred Jorge)
2- Ford De Bigode (Ivanildo Teixeira-Paulo Brunner)
3- What'd I Say (Ray Charles)
4- Relax (Guy Dovan-Carl Gary- Van Aleda)
5- Stand up (C.Crafford)


O ano de 1962 e 1963 foi de trabalho para Renato e seus Blue Caps, a banda começou a ser solicitada para fazer acompanhamentos. Foram convidados por Carlos Imperial para acompanhar Eduardo Araújo em um 78rpm lançado pela Phillips número P61119 com as músicas “Twist do Brotinho” composição de Carlos Imperial e “Rock Cha Cha” de Carlos Imperial e Eduardo Araújo. Edinho (Ed Wilson) deixa o grupo e começa a fazer carreira solo sugerida por Carlos Imperial, que antes da gravação do Lp Twist já tinha assinado contrato com a gravadora ODEON. Em agosto de 1962 ele lança o 78rpm pela gravadora ODEON número 14.813 com acompanhamento de Renato e seus Blue Caps com as músicas “Nunca mais” de Carlos Imperial e Paulo Brunner, e “Juro, meu amor” uma versão de Imperial para "Django", de autoria do dinamarquês Mogens Petersen, então hit da banda The Clifters .Em março de 1963 acompanhou Cleide Alves no seu último 78rpm pela Copacabana depois ela se transferia para a RGE.O disquinho tinha “Habibi Twist” de Rossi e Palleschi versão de Nazareno de Brito para Habibi Twist do grupo Italiano The Latins, e “Procurando um Broto” composição de Roberto Carlos. No mesmo mês de março entram no estudio da CBS para acompanhar Roberto Carlos naquele que seria o primeiro sucesso do cantor o hit “Splish Splash” versão de Erasmo Carlos para o sucesso homônimo de Bobby Darin. Seguindo o ano de 1963 em maio acompanha novamente Ed Wilson na ODEON no 78rpm número 7BD-1059 com as musicas “Doidinha por mim” de Ricardo Galeno e “Telefonema” de Renato Barros. Depois da saída de Ed Wilson o baterista Claudio Barbosa o Caribe também deixa o grupo indo para os EUA para estudar música, seguido por Ivan Botticeli que deixou a banda e formou o grupo Zumba Cinco que tocava bossa nova, lançado um Lp pela gravadora Musidisc em 1964. Para a vaga de Caribé na bateria entra Tónio que depois virou Toni e para o lugar de Ed Wilson entra Erasmo Carlos que vinha do Snakes, e na época era secretario de Carlos Imperial, que sugeriu a sua entrada na banda. Erasmo já tinha participado do Lp Twist fazendo coro. Em junho entram novamente no estúdio da Copacabana para gravarem o segundo Lp com produção de Nazareno de Brito. O estúdio da Copacabana era um dos melhores na época, tinha bons técnicos e boa aparelhagem para época por exemplo um gravador de fita AMPEX 356 de 3 canais. Com a nova formação Renato Barros (Guitarra Solo) Paulo Cezar(Contrabaixo) Roberto Simonal(sax) Erasmo Carlos (Guitarra Rítmica e Vocal) Toni(Bateria) a banda grava dois temas para ser lançado em um 78rpm número 6550 “Boogie Do Bebê versão de Fred Jorge para Baby Sittin' Boogie de Johnny parker sucesso nos EUA na voz de Buzz Clifford, e Limbo Rock versão instrumental do sucesso de Chubby Checker. O compacto tocou bem nas rádios e a banda apareceu em alguns programas. Para o restante do disco gravaram “Walking My Baby Back Home” clássico do jazz Americano gravado por Nat King Cole e Den Martin aqui uma versão instrumental em Twist, “Estrelinha” na voz de Erasmo é uma versão de Paulo Murilo para Little Star do grupo vocal americano The Elegants. O disco segue com “Lobo Mau” versão de The Wander sucesso do grupo Dion and The Belmonts versão de Hamilton di Giorgio em uma ótima interpretação de Erasmo. Lobo Mau foi regravada por Roberto Carlos em 1965 no álbum Jovem Guarda. Para fechar o lado A “Comache” tema instrumental composta por Ed Wilson. O lado B abre com Boogie do Bebê já citada a próxima é “Ford Bigode” de Ivanildo Teixeira e Paulo Brunner mais um tema instrumental. Em 1964 Rossini Pinto regravaria essa música no seu primeiro álbum pela gravadora CBS mas com letra e acompanhamento de Renato e seus Blue Caps. Para fechar o disco uma versão bem tribal de “What'd I Say” de Ray Charles, “Relax” do grupo americano The Cousins e “Stand Up” de Crafford todas na voz de Erasmo Carlos. O disco foi lançado em agosto pelo selo SOM da Copacabana número SOLP-40025, e o que muita gente não sabe é que ela também foi lançado em 1963 pelo selo paulista Guarujá número GLP-126 que pertencia a gravadora Copacabana, foi uma forma que a gravadora achou para lançar o grupo em São Paulo. As vendas foram boas superando o álbum Twist. A evolução da banda nesse álbum é bem evidente, sendo superior ao álbum Twist, é um álbum clássico de rock n roll. A partir desse álbum a banda começou a ficar conhecida e fazer muitos shows pelo Rio de Janeiro e fora do Rio.




Texto escrito na contra capa do Lp por Jair de Taumaturgo

“Sim os conheço muito bem. E justamente por isso, falo com base sobre as virtudes musicais destes jovens que integram o conjunto RENATO E SEUS BLUE CAPS.
Foi-me dada a satisfação de acompanhar a evolução dos moços que no princípio tinham apenas intuição artísticas e hoje para gáudio da mocidade, formam um conjunto dos mais homogêneos e de grande valor.
Faço um retrocesso no tempo e encontro-me exatamente na época em que conheci RENATO E SEUS BLUE CAPS, há alguns anos estava na minha sala na rádio Mayrink Veiga um grupo de amadores para se inscrever no programa Hoje é dia de rock a fim de concorrer ao troféu fazendo mimica. E a bem da verdade, até que não se saiu mal, pois conseguiu alcançar classificação de destaque. Lembro-me bem de Renato, Paulo Cesar, Edinho (hoje categorizado interprete, aplaudido por suas gravações como Ed Wilson e que naquele período era crooner) e mais alguns companheiros, dando já mostras de acentuada inclinação para a música, improvisando as mais variadas encenações para seus números mímicos procurando dar vida ao conteúdo dos discos.
Mas de espirito valente, como acontece com todos os jovens, acharam que deviam ultrapassar o terreno da imitação para atingir um campo mais concreto, mais palpável. Do pensamento a ação, fui um pulo.
Dotados de uma extraordinária vontade, dedicaram-se a música ao vivo.
Seus instrumentos adquiridos com muito sacrifico (moços pobres) não lhes permitiam mostra a técnica de horas e mais horas de estudo e de ensaios. (Vale aqui lembrar que Paulo Cesar, hoje um exímio contrabaixista, começou tocando piano com dois dedos para depois chegar à conclusão de que seu instrumento favorito era outro.
O tempo todavia, haveria de ajudar e hoje RENATO E SEUS BLUE CAPS possuem um notável instrumental que manejado por mão hábeis, transmite toda alegria que encontramos na música moderna.
Ao me ver o que mais me emociona no conjunto é a simplicidade de seus componentes. Embora com algumas alterações desde a formação inicial continuam a ser os mesmos rapazes, corretos, educados e com os quais dá gosto lidar.
A sua popularidade é enorme (pude comprova-la pessoalmente em uma série de shows dentro e fora do rio).
Seu repertorio é atualíssimo, pois são selecionadas com critérios as composição em evidencias entre tantas que moços e moças cantam e assobiam.
É, enfim um verdadeiro conjunto.
Seus componentes RENATO BARROS (chefe do conjunto) guitarra elétrica; PAULO CESAR contrabaixo; ROBERTO SIMONAL sax; ERASMO CARLOS guitarra elétrica e também crooner; e, finalmente TONIO; bateria.
A COPACABANA ao lançar este que é o segundo Lp de RENATO E SEUS BLUE CAPS alcança dois objetivos, mais um prêmio ao talento dos jovens músicos e um grande lançamento para a juventude brasileira que encontrara, não tenho a menor dúvida, um excelente entretenimento para suas horas de lazer.
De resto, só me resta aconselhar ao discófilo: Ouça as várias faixas deste microssulco e divirta-se á grande!


Formação:
 
Erasmo Carlos: Guitarra Rítmica e Vocal
Renato Barros: Guitarra Solo e Voz
Paulo Cesar Barros: Contrabaixo e Voz
Roberto Simonal: Sax e Voz
Toni: Bateria


Versão lançada pelo selo Guarujá em 1963